Câmara de Quatro Barras anuncia “CPI do apagão” contra a Copel

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O ano legislativo de 2026 começa com novas pautas, debates e propostas, mantendo o foco no desenvolvimento do município e no atendimento às necessidades da população de Quatro Barras, a exemplo da “CPI do apagão”.

De forma unânime, os nove vereadores assinaram uma carta de intenção para a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com o objetivo de apurar questões relacionadas ao fornecimento de energia elétrica no município.

A iniciativa surge diante de relatos recorrentes da população sobre oscilações no fornecimento, interrupções frequentes e impactos gerados a moradores, comerciantes e serviços essenciais.

Após reiteradas tentativas de estabelecer diálogo junto à companhia estatal de energia elétrica, a Copel, a fim de amenizar o quadro de interrupções constantes no fornecimento do serviço ou, ao menos, promover melhorias nos canais de suporte aos consumidores, os parlamentares entenderam que não há outro caminho senão a CPI.

O instrumento caminhará em paralelo aos poderes Executivo e Judiciário, ao Ministério Público do Paraná e à sociedade civil organizada.

Em seu teor, a carta de intenção traz literalmente o seguinte conteúdo:

“Ressalte-se que eventual procedimento investigatório será conduzido com estrita observância aos princípios do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa, da legalidade, da impessoalidade e do interesse público, assegurando-se que toda e qualquer apuração se desenvolva de forma técnica, responsável e isenta de prejulgamentos, em consonância com o papel institucional de fiscalização atribuído ao Poder Legislativo.”

Um dos entusiastas da iniciativa, o vereador Anderson Mendonça (Rato), avalia que a situação já ultrapassou o limite do tolerável. “Nem todo apagão é apenas falta de energia. Às vezes, é um sinal de que precisamos rever processos, reforçar a segurança e agir com responsabilidade. Situações inesperadas exigem atenção, preparo e atitude e, agora, nós, vereadores, vamos partir rumo a um patamar mais elevado em defesa dos interesses do povo”, explica.

Para o presidente da Câmara, o vereador Fernando Cunha, a carta de intenção assinada por todos os vereadores, em antecipação à apresentação da CPI, “mede a febre” e comprova que todos os parlamentares estão em sintonia diante das demandas da comunidade. “Pura energia” é o slogan da companhia que deveria nos abastecer com a matéria-prima de tantas atividades essenciais, mas que, infelizmente, tem se mostrado incapaz de agir com o mínimo de eficiência para prover o básico do seu serviço. Adotar uma medida mais dura, com a proposição da CPI, nos parece a medida mais cabível”, sentencia o parlamentar.

O que é uma CPI e qual seu objetivo?

A Comissão Parlamentar de Inquérito é um instrumento previsto no ordenamento jurídico brasileiro que permite ao Poder Legislativo investigar fatos determinados de relevante interesse público.

No caso em questão, a CPI tem como finalidade:

* Solicitar informações formaais à concessionária responsável pelo serviço;

* Reunir dados técnicos e documentos;

* Ouvir representantes e esclarecer dúvidas;

* Garantir transparência nas informações prestadas à população.

A medida não representa julgamento prévio, mas sim um mecanismo legítimo de apuração e busca por respostas.

Transparência e responsabilidade

A criação da Comissão Parlamentar de Inquérito demonstra responsabilidade e seriedade no tratamento de temas sensíveis. O objetivo é garantir que todas as informações sejam apuradas com clareza, permitindo que a população tenha acesso a dados oficiais e posicionamentos formais.

O trabalho da CPI seguirá os trâmites legais, respeitando os princípios do contraditório, da ampla defesa e da legalidade.

Compromisso com a população

A Câmara Municipal de Quatro Barras reafirma, com essa iniciativa, seu compromisso com a transparência, o diálogo institucional e a fiscalização responsável.

A apuração busca respostas objetivas e soluções efetivas, sempre com foco na melhoria dos serviços prestados à comunidade, especialmente considerando que, em 2023, a Copel foi vendida por meio de oferta pública de ações no valor divulgado de R$ 5,1 bilhões.

Com a venda, o Governo do Paraná deixou de ser o acionista majoritário da empresa, que passou a operar sob regime de gestão com capital pulverizado no mercado.